ai que saudade de um briefing
4 dezembro 2009
ai ai, realmente … que saudade de um projeto de design, de colocar a mão na massa, de colocar as idéias pra funcionar. Saudade de criar a partir de informações determinadas, de pesquisa de mercado e objetivos definidos. Terminei o mestrado, um período mais descritivo e acadêmico, e decidi me dedicar um pouquinho ao processo criativo, de uma maneira bem tímida na verdade, ilustrações pessoais, desenhos a mão livre, presentes, devaneios … um dia pedi pra uma amiga – dona carolina rivello, já citada aqui – uma dica, uma palavra, uma idéia pra direcionar a criação. Eis que ela me vem com PORCOS, ai ai. Deu nisso aí em cima!
* a última imagem é a ilustração original no meu moleskine – que aliás tem algumas coisas novas que vou começar a postar aqui … ;D
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um passo dado
29 setembro 2009

Trabalho terminado, dissertação finalizada, um aprendizado incrível … mais um passo dado. Dois anos e meio de mestrado em comunicação midiática, os olhos voltados para o outro nas imagens fotográficas da revista National Geographic do Brasil. Uma base de semiótica da cultura, um estudo teórico sobre mídia e comunicação, aprofundamento no campo da imagem e da fotografia e alguma coisa trazida do design e da comunicação visual – uma multidisciplinaridade que possibilitou muita informação adquirida, algum conhecimento construído e mais questionamentos a serem respondidos (o que continua impulsionando o interesse). Enfim, uma fase que inicia outra, e outras vontades. Que dá força para outros desejos e abre alguns caminhos.
obrigada a todos que me ajudaram a dar esse passo – família, orientador (Luciano Guimarães), amigos, professores, UNESP, FAPESP …
imagem, baleias e uma discussão sobre mídia
27 setembro 2009

Quando me deparei com essas fotografias, a força das imagens me assustou, num golpe da primeira impressão. Inúmeros animais mortos, em fileira, num mar literalmente vermelho sangue. As cores, a disposição, a inferência a atitudes cruéis … todas as características compositivas das imagens me levaram a uma reação emocional primária que reteve minha atenção e provocou algumas ações posteriores. Primeiro me demorei nas imagens afim de entender o que elas representavam e o porque desse ato. Depois, ainda espantada, achei por bem pesquisar sobre elas, num ímpeto de entender mais a fundo o contexto e a realidade da situação. E conforme ia enxergando mais nelas, essas fotos me pareceram um ótimo ponto de partida para o início de uma discussão sobre o valor da mídia, e em específico da imagem fotográfica mediada, numa sociedade cada vez mais saturada de imagens.
Sai na busca de maiores informações a respeito do acontecimento. Li e reli inúmeros textos indignados, revoltados e extremamente contra a prática, muitos mal escritos e sensacionalistas. Encontrei também informações mais imparciais e objetivas – sobre a história da atividade, a base cultural, porque é realizada de tal maneira, etc, etc. (alguma coisa pode ser lida na wikpédia e e também na página da Embaixada da Dinamarca em Lisboa). E sem o intuito de emitir uma opinião fechada sobre o assunto, me propus apenas a assinalar pontos de vistas, tentando entender “os dois lados”.
Na pesquisa, descobri que as fotografias acima representam uma prática cultural exercida por habitantes das Ilhas Faroé, na Dinamarca. Parte de uma atividade tradicional antiga, sem fins comerciais e organizada pela comunidade, que prevê a caça das chamadas baleias-piloto (uma espécie de golfinho). Durante muitos anos a carne desses animais foi uma importante fonte de alimento para a população, sendo utilizada por moradores das ilhas no consumo próprio. Nos dias de hoje, no entanto, o Ministério da Saúde desse isolado arquipélago vem advertindo o consumo excessivo da carne de baleia-piloto por causa do alto índice de mercúrio e outras substâncias tóxicas. O que está fazendo com que a prática seja revista.
O que é importante perceber, é que essas fotografias mostram que tem muito que não conhecemos. Elas expõem uma situação específica e de peso cultural. A discussão sobre essas imagens na internet, mostra que toda vez que nos deparamos com algo, nos reportamos a nossa estrutura básica de origem, nossas crenças e valores, tradições adquiridas desde pequenos. Características que definem a forma como lidamos com o mundo e com tudo aquilo que percebemos, e que são específicas de cada povo. Deste modo, nossas opiniões e juízos se dão a partir do sistema simbólico no qual estamos inseridos, num processo que cria, transmite e mantém o passado no presente, ou seja, a cultura. E o que ordena todo esse sistema é a comunicação, é ela que regulamenta e tece relações, convencionando significados e valores (Norval Baitello – O animal que parou os relógios: ensaios sobre comunicação, cultura e mídia).
Assim, nosso conhecimento sobre o mundo e o que acontece nele, pode ser iniciado por meio da imagem fotográfica e aquilo que recebemos através da mídia. E o que se coloca em jogo, é o discernimento que procuramos ter sobre determinados assuntos e como nos comportamos diante daquilo que recebemos. Na maioria das vezes apenas vemos, ouvimos, acolhemos os conteúdos e informações disponibilizados pela mídia sem a devida a atenção. Não paramos pra pensar sobre o que vemos, achamos suficiente apenas ver, e quando nos posicionamos, muitas vezes, não sabemos direito o que estamos defendendo.
É primordial saber que informação não é conhecimento. Saber que informação é dado, um algo recebido, e que conhecimento é algo construído a partir da informação. Apenas com conhecimento podemos nos posicionar diante de um assunto, tema ou circunstância. A mídia deve suscitar discussões e gerar interesse, curiosidade mesmo, ao oferecer informações. E nós, enquanto leitores, observadores, telespectadores … devemos pensar criticamente e agir de forma consciente.
Se essas imagens, em questão, são prova de uma atitude absurda, desumana, cruel, é louvável que impulsionem ações de combate à prática. Mas e se elas forem a representação de uma atividade de sustento, alimentação? Precisamos primeiro olhar para os dois lados, os praticantes e a oposição, e só depois de conhecer, escolher!
Sim, são fotografias pujantes e impressionantes … assim como um boi sendo abatido, uma galinha, um carneiro, ou qualquer outro animal diariamente comercializado e consumido pelo homem. Sem querer me posicionar quanto ao caso, por não me achar apta a julgar o que essas fotos representam – já que estas e a prática exposta são muito maiores que elas mesmas, requerendo tempo e amadurecimento reflexivo (devemos sim pensar a respeito) –, apenas me questiono sobre o valor das imagens fotográficas. E termino citando Emil Orlik, num texto de Ronaldo Entler:
“Num mundo marcado por uma constante aceleração de todas as coisas, e por relações sempre efêmeras, a possibilidade de deter o olhar sobre uma imagem representa a chance de imprimir sobre ela uma certa dose de desejos e sentimentos, que ligará o sujeito à imagem de uma forma intensa e, talvez, definitiva. Trata-se de substituir a velocidade (uma porção de espaço percorrido numa porção de tempo) pela densidade (uma porção de tempo condensada naquela porção de espaço).”
Sile
2 setembro 2009

[casa de praia, um pedacinho do mar negro bem perto de Istambul]


